Há bandas que fazem sucesso durante alguns anos e acabam se tornando uma lembrança de uma determinada época. Outras atravessam gerações graças às rádios, às plataformas de streaming ou às turnês de reunião. O Jefferson Airplane seguiu um caminho diferente: deixou de frequentar as paradas de sucesso há décadas, mas nunca saiu completamente de cena.
Talvez o nome da banda não seja tão familiar para quem nasceu nos anos 1990, 2000 ou 2010. Ainda assim, suas músicas continuam encontrando novos públicos por meio de filmes, séries e documentários. Em muitos casos, o espectador reconhece imediatamente a canção, mas não faz ideia de quem a gravou.
Esse contraste é curioso. Formado em São Francisco em 1965, o Jefferson Airplane foi um dos grupos que ajudaram a definir o som da chamada “Summer of Love” e da explosão do rock psicodélico americano. Canções como “Somebody to Love” e, principalmente, “White Rabbit” tornaram-se símbolos de uma geração marcada pela contracultura, pela experimentação musical e pelas transformações sociais dos anos 1960.
O tempo passou, a formação da banda mudou, o rock ganhou novos estilos e outros nomes ocuparam o centro das atenções. Ainda assim, o Jefferson Airplane encontrou uma maneira inesperada de permanecer presente na cultura popular.
Hollywood nunca deixou a banda para trás.
Um levantamento dos créditos de trilhas sonoras disponíveis no IMDb mostra que músicas do Jefferson Airplane já foram utilizadas em mais de 150 produções, entre filmes, séries, documentários e programas de televisão. Poucos artistas da mesma geração conseguem manter uma presença tão constante nas telas, quase seis décadas depois de gravarem seus maiores sucessos.
A principal responsável por essa longevidade é “White Rabbit”. Lançada em 1967, a música deixou de ser apenas um clássico do rock psicodélico para se transformar em um recurso narrativo do cinema. Sempre que um diretor precisa criar uma atmosfera de mistério, paranoia, ruptura da realidade ou transformação psicológica, ela costuma surgir como uma escolha quase natural.
Foi assim em produções como Vidas em Jogo (The Game), de David Fincher, Platoon, Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas), The Matrix Resurrections, Stranger Things e muitas outras. A cada nova aparição, uma geração diferente acaba conhecendo a música, mesmo sem necessariamente descobrir a história da banda por trás dela.
Esse talvez seja o aspecto mais fascinante da trajetória do Jefferson Airplane. Enquanto muitos artistas permanecem vivos graças aos fãs que acompanharam sua carreira desde o início, a banda continua conquistando ouvintes que sequer haviam nascido quando seus discos foram lançados.
É um fenômeno raro. O Jefferson Airplane deixou de ser apenas uma referência dos anos 1960 para se tornar parte da linguagem do cinema e da televisão. E, talvez por isso, continue sendo uma das bandas mais ouvidas que muita gente nem percebe que conhece.
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