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A Bíblia no mundo do Rock – Parte II

Por André Martins e Washington Freire

Neste aniversário de 40 anos do Álbum Somewhere in Time, aproveitamos para falar de músicas temáticas do Iron Maiden e os escritos Bíblicos!

Entendendo essa linguagem dentro do Heavy Metal

Bruce Dickinson usa a linguagem Bíblica como metáfora para o mundo atual. As letras geralmente criticam a cegueira de líderes políticos globais que não percebem a decadência de seus próprios impérios e sistemas.

WRITING ON THE WALL


Em 2021 eles lançaram a música “Writing on the wall”, que tem como conceito a passagem Bíblica de Daniel, capítulo 5, o qual o rei Babilônico, Belsazar, faz um festim com os utensílios do Templo de Salomão, para zombar de Deus.

No vídeo da música, aparece um cartaz com a descrição Belshazzar’s Feast, indicando este relato.

A expressão “Writing on the wall”, é o escrito misterioso que aparece na parede neste mesmo banquete de Belsazar, em um idioma que somente Daniel consegue decifrar (“Mene, Tekel, Upharsin”), indicando que o seu reino de julgado por Deus e chegou ao fim.

Tal expressão se tornou um provérbio na Europa e ganhou força a partir do século XVII e XVIII para avisos de tragédias ou ruínas iminentes que as pessoas escolhem ignorar.

Em 1720, o famoso escritor britânico Jonathan Swift (autor de As Viagens de Gulliver) usou explicitamente a expressão como metáfora em um de seus poemas (The Run Upon the Bankers) para descrever um banqueiro prevendo sua própria falência financeira: “‘Tis like the Writing on the Wall” (É como a escrita na parede)

O Iron Maiden utilizou inclusive como uma distopia, Cavaleiros do Apocalipse, e referências à Adão e Eva com o fruto proibido, conforme relatado em Gênesis.

NUMBER OF THE BEAST


A introdução falada da faixa reproduz a passagem de Apocalipse 13,18 e apresenta o número associado à Besta: 666. A referência ajudou a alimentar durante décadas a imagem “satânica” do Iron Maiden. A inspiração de Steve Harris, porém, estava relacionada a um pesadelo e ao imaginário dos filmes de terror, e não a uma declaração de culto ao demônio.

Que aquele que possui a sabedoria
Let him who hath understanding

Calcule o número da besta
Reckon the number of the beast


Pois é um número humano
For it is a human number

Seu número é seiscentos e sessenta e seis
Its number is six hundred and sixty six


ALEXANDER THE GREAT

A conhecida história de Alexandre, o Grande (356-323 AC), aparece no livro deuterocanônico para algumas denominações Cristãs e outras Judaicas, especificamente no Primeiro Livro da revolta dos Macabeus, o qual aparece Alexandre o Macedônio, e que conta a história dos judeus que lutaram em prol da sua fé.

Perto do Oriente, em uma parte da Grécia antiga
Near to the East, in a part of ancient Greece

Em uma terra antiga chamada Macedônia
In an ancient land called Macedonia

Nasceu o filho de Filipe da Macedônia
Was born a son to Philip of Macedon

A lenda, seu nome era Alexandre
The legend his name was Alexander

REVELATIONS

“Revelations” trabalha com uma combinação de referências religiosas, místicas e filosóficas.

O próprio título remete ao conceito de revelação e ao imaginário associado ao Apocalipse (que significa, Revelação em grego), embora a letra não seja simplesmente uma reprodução de uma passagem Bíblica. É um bom exemplo de como o Maiden utiliza a tradição religiosa como matéria-prima para sua mitologia.

FOR THE GREATER GOOD OF GOD

Aqui a religião aparece associada a uma das grandes questões da humanidade: a utilização de Deus para justificar guerras e violência. A música questiona o sofrimento provocado por conflitos travados em nome de crenças e ideologias.

PRODIGAL SON

A Parábola do Filho Pródigo, relatada no Evangelho de Lucas 15, 11-32, na qual um filho abandona a família, desperdiça sua herança e finalmente retorna para casa, ganha uma roupagem do metal.

Letra sobre culpa, arrependimento e retorno ao lar, ao som de guitarras e o baixo de Steve Harris.

HALLOWED BE THY NAME

O próprio nome provém da oração do Pai Nosso, em Mateus 6, 9 e Lucas 11,2 : “Santificado seja o Vosso Nome“.

Mas a música não se limita a repetir a oração. Steve Harris coloca um condenado à morte diante da própria existência, fazendo-o questionar Deus, a alma e o que pode existir depois da execução. É uma música sobre fé, dúvida e mortalidade.

Essas e outras metáforas Bíblicas ou até mesmo na Mitologia, é agregada no mundo do Rock por diversas bandas para relatar fatos do nosso dia-dia.


Isso mostra que a mente aberta para o aprendizado nos escritos, parábolas e seus personagens nos levam à uma sabedoria maior como ser humano, para que possivelmente sejamos melhores ao avaliarmos o que ocorre no nosso mundo atual e com quem convivemos.


Vamos analisar mais bandas que abordam esse assunto!

Esperamos de vocês também!
Sugestões, dicas sobre algum outro tipo de religiosidade que você conheça, ou espiritualidade que você aprecie? Ou não aprecia nenhuma delas, mas analisa o lado histórico que cada banda aborda?

Muitas bandas abordam esses temas! Seja no Budismo, Hinduísmo, Judaísmo ou Espiritismo.



Não esqueça de ouvir a programação da Morcegão FM.
Faça parte dessa família.

Não deixe de ler a parte I publicado sobre este mesmo tema!