Músico integrou a formação clássica da banda por 56 anos e participou de todos os 15 álbuns de estúdio do grupo
O rock perdeu nesta semana um de seus bateristas mais reconhecíveis. Frank Beard, integrante do ZZ Top desde a formação clássica da banda, morreu aos 77 anos, em 17 de agosto de 2026, em seu rancho em Richmond, no Texas. A morte aconteceu justamente no dia de seu aniversário.

Segundo comunicado divulgado pela própria banda, Beard estava sob cuidados paliativos e morreu cercado pela família. A causa da morte não foi divulgada.
A notícia chega poucos dias depois de o ZZ Top cancelar um show no Hollywood Bowl, em Los Angeles, no início de agosto. Na ocasião, a banda falou em questões imprevistas relacionadas à equipe. Dias depois, foi confirmado que Beard estava afastado da turnê por problemas de saúde.
Apesar do sobrenome Beard, que significa “barba” em inglês, Frank era justamente o integrante do ZZ Top que não usava a famosa barba que se tornou uma das marcas visuais da banda.
56 anos atrás da bateria
Frank Beard se juntou a Billy Gibbons e Dusty Hill em 1969, consolidando a formação que se tornaria uma das mais duradouras da história do rock.
Ele participou do álbum de estreia, ZZ Top’s First Album, lançado em 1971, e esteve presente em todos os 15 discos de estúdio da banda.

Beard não foi o primeiro baterista da história do grupo, mas foi quem ajudou a estabelecer definitivamente a formação clássica ao lado de Gibbons e Hill. Durante décadas, os três construíram uma identidade musical baseada na mistura de blues, boogie e rock do Texas.
Sua bateria está presente em clássicos como “La Grange”, “Tush”, “Gimme All Your Lovin’”, “Sharp Dressed Man” e “Legs”.
Mais do que acompanhar Gibbons e Hill, Beard ajudava a estabelecer o pulso da banda. O ZZ Top nunca precisou de grandes formações ou mudanças constantes para criar impacto. Eram três músicos, uma sonoridade própria e uma identidade visual impossível de confundir.
O fim de uma formação histórica
A morte de Frank Beard acontece cinco anos depois da morte de Dusty Hill, que faleceu em julho de 2021, aos 72 anos.
Com a partida de Beard, Billy Gibbons passa a ser o único integrante da formação original do ZZ Top ainda vivo. Depois da morte de Hill, o baixista Elwood Francis assumiu seu lugar na banda.

Em seu tributo ao amigo, Gibbons descreveu Beard como um músico extremamente inovador e fundamental para a identidade do ZZ Top. A banda também confirmou que pretende continuar tocando, respeitando o desejo que o baterista havia manifestado antes de sua morte.
O grupo cancelou os shows previstos para Salt Lake City e Colorado Springs após a morte de Beard, mas pretende retomar a turnê em Austin neste fim de semana.
E a agenda internacional permanece especialmente importante para o público brasileiro. O ZZ Top mantém, até o momento, três apresentações no Brasil em novembro:
18 de novembro: Porto Alegre
20 de novembro: Curitiba
21 de novembro: São Paulo
Ainda não há indicação de que essas apresentações tenham sido canceladas.
Uma marca que vai além dos discos
Frank Beard nunca foi o integrante mais chamativo do ZZ Top. Billy Gibbons tinha os riffs, Dusty Hill dividia os vocais e o baixo, enquanto Beard permanecia atrás da bateria.
Mas talvez essa fosse justamente sua importância.
Durante mais de cinco décadas, ele ajudou a manter uma das formações mais particulares do rock funcionando como uma máquina. Seu estilo econômico, pesado e preciso combinava perfeitamente com os riffs de Gibbons e o baixo de Hill.
E havia ainda a ironia que acompanhou sua carreira inteira: o homem chamado Beard era justamente o único dos três que não usava barba.
Agora, uma das imagens mais tradicionais do rock americano desaparece parcialmente.
A barba de Billy Gibbons continuará. As músicas continuarão. Os riffs continuarão.
Mas, pela primeira vez desde 1969, Frank Beard não estará mais atrás da bateria do ZZ Top.


