A lenda do blues elétrico é uma referência mundial, mas que precisou caminhar muito para conseguir o reconhecimento mundial
O dia 30 de abril aqui no Brasil, por exemplo, é uma animação total, por causa da véspera de feriado. Porém, a data também tem seu ar de importância por ser o dia em que o mundo perdeu Muddy Waters. Em resumo, o pai do blues moderno de Chicago faleceu no dia 30 de abril de 1983, aos 70 anos de idade. Sua morte marcou o fim de uma era para o blues elétrico, mas consolidou seu legado como um dos músicos mais influentes do século XX.
“Havia muita gente por aí cantando blues, mas a maioria cantava um blues muito triste”, disse mais tarde o também mestre do blues, Willie Dixon, sobre a cena da época (pelo livro de 1987, Rockin’ in Time: A Social History of Rock-and-Roll). “Muddy estava dando um pouco de ânimo ao seu blues.”
Estrada sinuosa
Embora Waters tenha trabalhado duro, gravando com diversos selos e tocando com várias pessoas diferentes, seu sucesso veio gradualmente. Foi apenas em 1950 que ele finalmente emplacou um hit relativamente popular, “Rollin’ Stone“, que lhe proporcionou algum alívio das pressões de ser um músico profissional em tempo integral.
Naturalmente, a carreira de Waters só cresceria a partir dali e sua influência final se estendeu muito além da cidade de Chicago — os Rolling Stones batizaram a banda em homenagem à canção mencionada. Mas, mesmo ao longo das décadas de 60 e 70, o reconhecimento de Waters como artista de blues veio mais como um gotejamento lento do que como uma inundação repentina. Ou seja, a posição mais alta que qualquer um de seus álbuns alcançou na Billboard 200 foi o 70º lugar, com Fathers and Sons, de 1969.
“Sinto muito que o mundo não tenha me conhecido por 40 anos”, disse Waters em 1970 em uma entrevista à Rolling Stone. “Quando eu era mais jovem, poderia ter produzido mais.”
A partida
Ao todo, Waters lançou 14 álbuns de estúdio, além de muitos outros ao vivo. Seu último lançamento de estúdio, King Bee, chegou em 1981, produzido por Johnny Winter.
Também em 1981, os membros dos Rolling Stones — Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood —, além do pianista Ian Stewart, aproveitaram uma noite de folga da turnê para dar uma escapada até o Checkerboard Lounge, em Chicago, e fazer uma jam session com Waters.
Dois anos depois, Waters, aos 70 anos, foi dormir na noite de 30 de abril de 1983 em sua casa e não acordou mais. De acordo com a reportagem do The New York Times na época, ele sofreu um ataque cardíaco e foi declarado morto no Hospital Good Samaritan, em Chicago. Seu funeral foi realizado alguns dias depois, em 4 de maio, com a presença de vários músicos famosos.
“O mundo está mais rico por tê-lo vivo”, disse o empresário de Waters, Scott Cameron, na ocasião.
Curiosidade
A lápide de Waters, gravada com seu nome de batismo, McKinley Morganfield, possui uma discrepância curiosa. Em inúmeras entrevistas e outras conversas relacionadas, Waters afirmava ter nascido em 1915, e foi esse o ano escrito na pedra. Contudo, outros documentos governamentais listam seu ano de nascimento como 1913.
Independentemente disso, gravado abaixo das datas, em cada lado de uma guitarra, estão as palavras: “The mojo is gone, The master has won…” (O mojo se foi, o mestre venceu…).

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