Romper o silêncio, quebrar o tabu e implementar políticas públicas adequadas são essenciais para a prevenção ao suicídio, que vem crescendo em todo país.
Na história do rock mundial já presenciamos alguns fatos com alguns ídolos da música que tomaram decisões que deixaram fãs abalados e muito tristes. Nomes como Kurt Cobain, Chester Bennington, Ian Curtis ou Chris Cornell decidiram tirar as suas próprias vidas e essa atitude deixou o público atônito. Infelizmente, são fatos que ocorrem no nosso cotidiano e, muitas vezes, deixamos passar desapercebido. Por esse motivo muito importante, decidi falar sobre o suicídio. Minha intenção alertar para situações que possam estar ocorrendo ao nosso redor com amigos, colegas e/ou parentes e sem que a gente perceba.
O dia 10 de setembro é a data oficial do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Por isso, este mês é marcado pela intensificação nas ações de conscientização e sensibilização sobre a importância da prevenção ao suicídio. A campanha é chamada Setembro Amarelo.
No Brasil, a campanha faz parte do calendário nacional e tem a parceria entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). Para além de ações pontuais da campanha, é preciso dialogar sobre o assunto e cuidar coletivamente. Além disso, é importante oferecer suporte de atendimento e implementar políticas públicas de prevenção durante todo o ano. Isso inclui mais capacitação profissional em diversas áreas e maior acesso aos serviços de saúde mental em todas as regiões do país.
Um dos grandes mitos sobre o assunto é achar que falar sobre suicídio incentivará o ato. Mas, isso não é verdade!
Da mesma maneira, deixar de falar não impede de que algo aconteça. Do contrário, devido ao tabu, pessoas que estão pensando em tirar a própria vida não encontram com quem conversar, não têm forças para buscar ajuda e isso aumenta ainda mais o sofrimento e a desesperança. Porém, é preciso ter responsabilidade ao tratar do assunto.
Não é recomendado reproduzir notícias sensacionalistas ou mostrar imagens e detalhes de métodos usados. Por isso, falar sobre o assunto abertamente e da maneira mais franca e acolhedora possível permite que a pessoa repense a sua decisão, visualize outras opções e se sinta mais fortalecida.
É importante ter em mente que o ato do suicídio faz parte do que se chama de comportamentos suicidas, que englobam os pensamentos, os planos e as tentativas de suicídio. As tentativas de suicídio, quando não levam ao óbito, podem provocar lesões graves ou incapacitantes e é o principal fator de risco para outras tentativas. Estudos estimam que para cada suicídio consumado, pode ter havido até 20 tentativas anteriores. Por isso, a quebra do silêncio e o foco na prevenção são tão importantes.
Os motivos que levam uma pessoa ao suicídio são diversos e multifatoriais, que envolvem questões sociais, culturais, econômicas, religiosas, psicológicas ou biológicas. Estudos da Fundação Oswaldo Cruz já indicaram, inclusive, que o aumento do número de suicídios acompanha o aumento das desigualdades sociais e da pobreza e estão associados com o crescimento da prevalência de transtornos mentais. Nesse sentido, questões como desemprego, violência, pobreza, condições inadequadas de trabalho, racismo, bullying ou assédio, por exemplo, precisam também ser consideradas na formulação de políticas públicas de prevenção.
Com isso, prevenir, detectar a tempo, avaliar, dar suporte e tratar as pessoas com comportamentos suicidas é a melhor saída e todos nós podemos contribuir com esse processo. De maneira compassiva e respeitosa, precisamos romper o silêncio, quebrar o tabu, acolher e mostrar que a vida, sim, sempre será a melhor escolha.
Dados Alarmantes
A Organização Mundial da Saúde estima que, a cada ano, mais de 700 mil pessoas morrem devido ao suicídio ao redor do mundo. Esse número pode ser muito maior devido às subnotificações tanto de suicídios quanto dos outros comportamentos relacionados.
Um estudo realizado por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz, publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, analisou dados referentes aos anos entre 2011 e 2022 no Brasil e indicou um aumento das taxas de suicídio em todas as regiões do país e em todas as faixas etárias, inclusive entre crianças e adolescentes. O aumento foi visto, também, entre a população indígena e pessoas com deficiência. Durante este período, foram registrados 147.698 suicídios.
Dados da ABP mostram que os transtornos mentais representam mais de 90% dos fatores de risco para morte por suicídio. Nesse ponto, entramos em mais um grande tema tabu na nossa sociedade: a saúde mental. Todas as pessoas, independentemente da classe social, podem sofrer de transtorno mental. Mas, saiba que para cada caso existem tratamentos adequados, seja a depressão, transtornos ansiosos, estresse pós-traumático, transtorno bipolar, dependência química, dentre outros.
Existe, também, uma outra face do suicídio na qual precisamos olhar com cuidado: os sobreviventes das perdas. O termo “sobreviventes do suicídio” é usado para se referir a todas as pessoas que foram fortemente impactadas por um suicídio. São familiares, amigos ou colegas enlutados e que podem estar emocionalmente vulneráveis. Muitas vezes, sentem culpa e o sofrimento pode escalar cada vez mais.
Assim como indica a organização do Setembro Amarelo: “Se você está passando por um momento de crise e de sofrimento, se tem pensamentos de morte ou planeja tirar a própria vida, converse sobre isso com uma pessoa de confiança e procure ajuda especializada. Se você conhece alguém nessa situação, converse francamente e oriente suas ações”.
O Centro de Valorização da Vida também está disponível para ajudar. É um canal de comunicação gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio. Disque 188 ou clique aqui e acesse o chat para conversar com um voluntário preparado para esse tipo de atendimento.
Para o atendimento gratuito em psiquiatria, acesse esse link e encontre as informações sobre os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), do Sistema Único de Saúde (SUS), na sua região.
Conheça mais informações sobre esse assunto, clique aqui e leia a cartilha da campanha “Comportamento Suicida: Conhecer para prevenir“.
De acordo com a OMS, é importante esse alerta, já que o suicídio está entre as principais causas de morte ao redor do mundo. Por isso, não tenha medo de perguntar se estiver preocupado com alguém: “Você está pensando em tirar a própria vida?”. Se a resposta for afirmativa, mantenha a calma, acolha, mostre as inúmeras possibilidades de ajuda, não a deixe sozinha e, se possível, a conduza ao serviço de saúde disponível no momento. Isso porque, essa pergunta pode salvar uma vida.
Plantão Rock Notícias e informações da cultura rock.

Sensacional o texto. Saúde mental é tudo!
Parabéns pela matéria. Este tema é muito sério, é uma pena alguém tirar a vida, passei por isso na família e com amigos. A dor é pra sempre. Cuidem-se.
Texto sensacional!!
Recentemente passamos por isso na família e sei o quanto é doloroso. Precisamos dar suporte aos transtornos mentais , pois podem causar o suicídio.