“Rock You Like a Hurricane”, um dos maiores clássicos do Scorpions, ganhou uma nova vida em graphic novel. E, embora a ideia pareça inusitada, ela está longe de ser uma novidade no mundo do rock.
Em Scorpions: Hurricane, a banda deixa os palcos e entra em uma aventura de ficção científica. A graphic novel, com 96 páginas, parte do universo visual do videoclipe e transforma o próprio Scorpions em personagem, levando a banda para muito além do palco. O roteiro é de Nathan Yocum, com ilustrações de Daniel Maine, e o lançamento está previsto para outubro de 2026.
E o enredo leva o Scorpions para uma aventura digna de ficção científica. No futuro, a banda já não faz turnês apenas pela Terra, mas por toda a galáxia. A próxima parada é Venus-7, um planeta conhecido por abrigar aquela que seria a maior festa do universo. O problema é que a comemoração acaba virando uma luta pela sobrevivência quando os músicos são capturados por uma sociedade avançada de guerreiras que decidiu manter seu mundo livre de homens. Agora, o Scorpions precisa escapar para conseguir chegar a tempo ao próximo show.
Mas transformar rock em desenho, personagem ou história em quadrinhos não é exatamente uma novidade. Muito antes de o Scorpions levar seu clássico para as páginas, bandas e artistas já haviam descoberto que o universo do rock tinha tudo a ver com desenhos, quadrinhos e fantasia.
Um remember pelo rock desenhado
Em 1965, os Beatles ganharam sua própria série de desenhos animados para a televisão. Foi uma das primeiras vezes em que uma grande banda de rock foi transformada em personagem de animação.

Em 1966, a Hanna-Barbera apresentou Os Impossíveis. O trio era uma banda de rock chamada The Impossibles, mas também atuava como um grupo de super-heróis. Música, aventura e desenho animado apareciam juntos em uma mesma série.

Em 1968, Yellow Submarine levou os Beatles para uma animação psicodélica que se tornou um dos grandes símbolos visuais da cultura pop.

No mesmo ano, os quadrinhos deram origem a uma banda que ultrapassaria os limites do desenho. The Archie Show apresentou The Archies, uma banda fictícia formada pelos personagens Archie, Betty, Veronica, Reggie e Jughead. Em 1969, “Sugar, Sugar” virou um enorme sucesso e chegou ao primeiro lugar das paradas. Nesse caso, o caminho foi o inverso: personagens de quadrinhos viraram uma banda de sucesso.

Em 1970, foi a vez de Josie e as Gatinhas. Josie, Melody e Valerie formavam uma banda que, entre uma aventura e outra, fazia shows e tocava suas próprias músicas. A série ajudou a consolidar a ideia de transformar uma banda em personagem.

Em 1977, foi a vez do KISS entrar literalmente no mundo dos quadrinhos. A banda ganhou uma publicação da Marvel e seus integrantes apareceram como versões heroicas de seus próprios personagens de palco. Era a combinação perfeita entre o espetáculo do KISS e o universo dos super-heróis.

E o caminho também podia acontecer ao contrário.
Em 1980, o personagem dos quadrinhos Flash Gordon chegou ao cinema acompanhado por uma trilha do Queen. O grupo transformou aquele universo de ficção científica em uma verdadeira ópera espacial de rock.

No ano seguinte, em 1981, Heavy Metal levou para a animação o universo da revista de mesmo nome, misturando ficção científica, fantasia e uma trilha sonora recheada de rock.

Em 1983, Rock & Rule foi ainda mais longe. A animação canadense colocou o rock no centro da história e contou com nomes como Iggy Pop, Debbie Harry e Lou Reed entre seus participantes musicais.

E os anos 80 ainda dariam ao público Jem and the Holograms, em 1985, uma série que transformava uma banda fictícia em personagens, com shows, rivalidades, figurinos e muita música.

Também não dá para esquecer Eddie, o mascote do Iron Maiden. Criado para as capas e o universo visual da banda, ele acabou se tornando praticamente um personagem de quadrinhos, aparecendo em diferentes histórias e ajudando a construir a identidade do grupo.

O que o rock e os quadrinhos têm em comum?
Talvez seja justamente a capacidade de exagerar.
O rock sempre criou personagens. O KISS tinha suas personas, Alice Cooper construiu um personagem de palco, David Bowie criou diferentes identidades e o heavy metal encontrou monstros, heróis, demônios e mundos fantásticos para ilustrar suas músicas.

Os quadrinhos fazem algo parecido.
Por isso, a relação entre os dois parece tão natural. O rock oferece a atitude, a música e a fantasia. Os quadrinhos oferecem imagens, personagens e histórias.
Agora, em 2026, o Scorpions coloca Rock You Like a Hurricane nesse mesmo universo.
A banda não está inventando essa mistura. Está apenas escrevendo mais um capítulo de uma história que o rock começou a desenhar há muitas décadas.
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