Este ano marca o aniversário de discos importantes para a música (ou nem tanto). Veja abaixo a nossa lista!
Por: Caio Ramos – 14 de janeiro de 2026
Muitos dizem que as grandes décadas do rock foram as de 70 e 80, em que se destacaram bandas seminais para o heavy metal, hard rock e rock progressivo, como Black Sabbath, Led Zeppelin, Pink Floyd, Deep Purple e muitas outras. Além disso, não podemos esquecer do nascimento do movimento punk, a ascensão (e queda) do “hair rock” e o fortalecimento de várias vertentes distintas do rock.
Em contrapartida, para outros, os anos 60 são insuperáveis, com a realização de vários festivais importantíssimos, como Woodstock e Altamont, e o nascimento dos Beatles, Rolling Stones, The Doors, MC5, Velvet Underground e Stooges – estes últimos já indicavam o rumo que o rock tomaria nos anos 70. Já vários entusiastas veem os anos 90 como uma das décadas mais importantes, com os movimentos grunge e indie se destacando.
Seja como for, muitos dos grandes discos lançados nessas épocas fazem aniversários de décadas em 2026. Vamos aos principais:
Discos que fazem 50 anos em 2026
1976 foi um ano especial para o rock e para o punk. Vários clássicos vieram ao mundo naquele ano:
Ramones – Ramones (o álbum de estreia que ajudou a lançar o movimento punk)
Sua capa simples e sua pouca duração (menos de meia hora) podem enganar os desavisados, mas é bom não se enganar: “Ramones” mudou a história do rock. Em resumo, os estadunidenses gostam de dizer que este disco “iniciou o movimento punk”, o que está bem longe de ser verdade
Mas, “Ramones” levou toda uma geração de jovens a largar o que estava fazendo e montar bandas com músicas baseadas em três ou quatro acordes. O disco foi gravado em dois dias com o orçamento de US$ 6 mil, e despiu o rock até que ficasse com seus elementos básicos. Não há solos de guitarra e letras sobre mitologia ou filosofia. Entre outros assuntos corriqueiros, os Ramones falavam nas músicas o que queriam (“I Wanna Be Your Boyfriend”, “Now I Wanna Sniff Some Glue”) e sobre o que não queriam (“I Don’t Wanna Go Down to the Basement”, “I Don’t Wanna Walk Around With You”); apenas “53rd And 3rd” tem uma letra mais profunda. Mesmo que não tenha iniciado o punk, é seu manifesto definitivo.
Eagles – Hotel California
Visto como a trilha sonora de uma época decadente, “Hotel California” traz reflexões maduras sobre os custos de um estilo de vida desregrado, com base nas próprias experiências da banda. O disco representava tudo o que os punks queriam destruir: solos de guitarra harmonizados e uma produção super esmerada.
Aerosmith – Rocks
Este disco é considerado a grande obra prima do Aerosmith, e trouxe clássicos como “Back in the Saddle”, “Get the Lead Out” e “Combination”. Foi a fase de maior hedonismo do Aerosmith, que quase acabou na época em razão dos excessos de drogas entre os integrantes, por exemplo.
KISS – Destroyer
“Detroit Rock City”, “Shout it Loud” e “Beth” são alguns dos clássicos desse discaço! No ano anterior”, a banda havia lançado “Alive!”, e encontrava-se pronta para novas experimentações. O produtor Bob Ezrin percebeu o potencial do Kiss para inovar, e pressionou o grupo a assumir o papel de caricatura dos anseios da juventude que passaria a ser sua marca registrada.
Rush – 2112
Os discos anteriores do Rush, Fly by Night e Caress of Steel, foram recebidos com pouco entusiasmo na época. E em vez de desistir, a banda apostou todas as fichas em 2112. Ou seja, aa épica faixa título tem cerca de 20 minutos de duração, dividida em sete segmentos. Ela conta a história de um homem que lidera uma revolução através da música, após rejeitar os “Sacerdotes de Syrinx’ – uma clara metáfora das ambições da banda frente à indústria musical.
David Bowie – Station to Station
Em 1976, David Bowie estava mergulhado no caos. Seu casamento com Angie havia terminado e ele estava lutando contra vícios. Nesta luta contra seus demônios, Bowie criou o personagem Thin White Duke, que com seu smoking e cabelo penteado para trás, lembrava o papel do músico no filme “O Homem que Caiu na Terra”. Com influências de música eletrônica, “Station to Station” influenciou as bandas do pós-punk.
Discos que fazem 40 anos em 2026
1986 foi uma ano importantíssimo para o rock. Veja abaixo alguns exemplos dos seletos lançamentos daquele ano:
Master of Puppets (Metallica) e Reign Blood (Slayer)
Por que os dois discos estão no mesmo verbete? Porque disputam até hoje o título de “disco mais marcante de trash metal de todos os tempos”, apesar de o disco do Slayer ser bem mais pesado. Após o relativamente fraco “Ride the Lightning”, o Metallica apareceu com uma obra prima extremamente pesada e bem gravada, que uniu agressividade, velocidade, complexidade e belas melodias. Destaque para a faixa título e clássicos como “Battery”, “Orion” e “Welcome Home (Sanitarium)”. Já o Slayer reuniu em “Reign in Blood” sua já notória agressividade a influências de harcore. Tudo isso produzido pelo lendário Rick Rubin, que soube achar o tom certo para as visões de violência e paraíso perdido do Slayer.
Run-DMC – Raising Hell
Outra obra-prima produzida por Rick Rubin, “Rasing Hell” levou o rap ao público branco norte-americano, abrindo a MTV para o ritmo e sendo responsável pelo retorno do Aerosmith, cujos membros estavam saindo de um inferno decadente movido a drogas. A versão de “Walk this Way” presente no disco estourou nas paradas e foi um precursor das colaborações entre rock e rap que viriam nos anos 90.
The Smiths – The Queen is Dead
Muito antes das polêmicas de Morrissey, havia o Smiths. Na verdade, as polêmicas do vocalista já estavam presentes. A banda estava sem agente, em renegociação de contrato e com seu baixista, Andy Rourke, viciado em heroína. Toda essa energia negativa ajudou a criar um dos discos de pós-punk mais aclamados dos anos 80. ‘There is a Light that Never Goes Out” se tornou um dos maiores clássicos do rock pop.
Queen – A Kind of Magic
Lembra daquele filme sobre um guerreiro imortal nascido na Escócia e que precisava matar outros imortais (como assim?) para continuar vivo? Sim, era uma ideia idiota, mas “Highlander” foi imortalizado por “Who Wants to Live Forever”, cantada com visível emoção por Freddie Mercury, diagnosticado com AIDS no ano seguinte. Foi o último disco do Queen promovido em turnê.
Titãs – Cabeça Dinossauro
O terceiro disco da banda procurou novos caminhos e tem claras influências do punk rock, pós-punk e reggae. Para muitos, ele é considerado um dos melhores discos do rock brasileiro de todos os tempos. Além disso, várias de suas músicas viraram sucessos comerciais, como “Polícia”, “Homem Primata”, “Família”, “Bichos Escrotos” e “Cabeça Dinossauro’.
Discos que fazem 30 anos em 2026
Sepultura – Roots
Meu primeiro show do Sepultura foi em 1996, no Olímpia, em São Paulo. Sim, consegui ver a banda com sua formação clássica. Foi a turnê de promoção de “Roots”. O disco foi considerado obra-prima e o marco zero do nu metal, embora não fosse um disco desse estilo (não entendeu? Ouça o disco). Por um curso período em 1996, o Sepultura foi a maior banda de metal do mundo, com bandas como Metallica e Iron Maiden em baixa.
Metallica – Load
O que falar de “Load” que ainda não foi dito? Talvez com exceção de “Lulu”, foi o ponto mais baixo do Metallica. A banda quis deixar o metal um pouco de lado e partir para o rock, mas a recepção foi de estranhamento geral. Os fãs mais tradicionais odiaram; e os fãs de rock que não eram tão adeptos assim do metal não entenderam. Ouça com espírito de curiosidade.
Belle and Sebastian – Tigermilk e If You’re Feeling Sinister
Os escoceses do Belle and Sebastian conseguiram um feito alcançado por poucos: lançaram dois discos de sucesso no mesmo ano. “Tigermilk” foi um TCC do compositor Stuart Murdoch, que fazia um curso sobre a indústria da música na universidade. Os outros membros da banda eram colegas. Uma mistura de folk e pop, as músicas eram divertidas (para os padrões escoceses) e também tristes, mas com a tristezas característica daqueles que ainda não estão em idade para enfrentar os grandes problemas da vida. O mesmo se pode dizer de “If You’re Feeling Sinister”, em que os relacionamentos são os temas de praticamente todas as músicas – de um jeito ou de outro. Uma curiosidade: as pessoas nas capas dos discos não eram os músicos, mas amigos da banda. Foi um jeito de manter o mistério para a imprensa.
Discos que fazem 20 anos em 2026
Red Hot Chilli Peppers – Stadium Arcadium
Sim, este fenomenal álbum duplo já tem 20 anos. A ideia inicial da banda era lançar as 28 músicas divididas em três álbuns, um a cada seis meses, que foi abandonada. Com destaques como “Dani California”, que foi lançada com um interessante clip em que a banda encarnava músicos como Elvis, os Beatles e David Bowie, “Stadium Arcadium” é o disco mais vendido da banda.
Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not – Arctic Monkeys
Poucas vezes um álbum de estreia de uma banda foi tão premiado. “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” foi disco de platina quádruplo e ganhador do Mercury Prize de 2006 no Reino Unido – e vendeu “apenas” 360 mil cópias em sua primeira semana.
Autoramas – RRRRRRROCK!
Surgida a partir do fim dos punk-a-billies do Little Quail & The Mad Birds, os Autoramas mostraram que eram muito mais do que isso, tendo se firmado como um dos nomes mais respeitáveis do rock brasileiro do século XXI. “Fale Mal de Mim” foi um dos principais hits.
Discos que fazem 10 anos em 2026
Sim, aquele disco que você ainda ouve todo dia e considera “novo” já tem dez anos, meu amigo! Veja abaixo alguns dos destaques lançados em 2016.
Radiohead – A Moon Shaped Pool
Não é o disco preferido dos fãs ou da crítica. Mas “A Moon Shaped Pool” fez com que o público voltasse a acreditar na banda, após o franco “King of Limbs”. Os destaques foram “Burn the Witch” e “Daydreaming”, que ganharam clipes. O disco foi indicado para o Grammy, nas categorias “Melhor Álbum de Música Alternativa” e “Melhor Canção de Rock”, pela já citada “Burn the Witch”.
Metallica – Hardwired… to Self-Destruct
Similarmente ao Radiohead e “A Moon Shaped Pool”, “Hardwired… to Self-Destruct” resgatou a reputação do Metallica, após o estranho e fraco “Lulu”, gravado com Lou Reed. Um disco de músicas pesadas e elegantes, que poderiam ter entrado em “And Justice for All” ou no “Black Album”, “Hardwired… to Self-Destruct” entrou direto para o primeiro lugar nos Estados Unidos.
David Bowie – Blackstar
Vigésimo sexto e último álbum de estúdio de David Bowie, “Blackstar” foi lançado dois dias antes da morte do músico. Aclamado pela crítica e sucesso comercial, o disco foi o único de Bowie a chegar ao topo do Billboard 200 nos Estados Unidos. O álbum permaneceu na posição do número um nas paradas britânicas por três semanas.
E você? Quais desses discos você lembra durante o ano de lançamento? E quais guarda no coração? Conta pra gente nos comentários!
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