Cientistas que descobriram a nova espécie de aracnídeo a batizaram de Pikelinia floydmuraria em celebração à lendária banda britânica e ao álbum The Wall
Por: Marcela Riccomi Nunes – 22 de abril de 2026
Mais uma curiosidade científica inusitada que faz referência direta ao nosso bom e velho rock n’ roll! Isso porque, o cientista Osvaldo Villarreal, do Instituto Venezolano de Investigaciones Científicas, e sua equipe sul-americana descobriu um novo, pequeno e habilidoso predador no município colombiano de Ibagué, em Tolima.
O animal recém identificado é uma aranha com tamanho entre 3 e 4 milímetros, que costuma viver e produzir suas teias em frestas e rachaduras de paredes e muros. É exatamente por causa de seu habitat que os cientistas resolveram fazer a referência ao Pink Floyd, batizando-a como Pikelinia floydmuraria.
Em resumo, o termo floydmuraria é a junção de “floyd”, como tributo direto à banda britânica, e “muraria”, que é derivada do latim “parede”, escolhida em referência ao icônico álbum The Wall. Não é à toa, o artigo científico de publicação sobre a descoberta ainda vem com outra sacada genial de fã e recebeu o título de “Another web in the wall“.


(A) Visão Dorsal da aranha macho Pikelinia floydmuraria. Fotografia de Osvaldo Villarreal. (H) Visão Dorsal da aranha fêmea Pikelinia floydmuraria. Fonte: artigo de Osvaldo Villarreal e colaboradores. Fotografia de Leonardo Delgado-Santa.
Como ocorreu a explicação nesta matéria, quando cientistas brasileiros homenagearam Ozzy Osbourne e Ronny James Dio, sempre que pesquisadores descobrem um novo ser vivo, eles precisam dar um nome científico a ele. É nesta etapa que costumam surgir homenagens curiosas.
A descoberta: muito mais do que uma aranha rock n’ roll
A pequena Pikelinia floydmuraria vive em paredes e muros de áreas urbanas e é capaz de se alimentar de presas com corpos de tamanhos até seis vezes maiores do que os seus. Além disso, essa espécie têm ótimas estratégias de caça e costuma produzir suas teias próximas às luzes artificiais. Esse comportamento pode ser um possível processo de adaptação. Isso porque os insetos dos quais se alimentam são naturalmente atraídos pelo brilho de lâmpadas, tornando o local um verdadeiro banquete.
Com isso, além de serem ótimas caçadoras, desempenham importante papel no controle de pragas em ecossistemas urbanos. Em áreas domésticas, nos fazem um enorme favor ao se alimentarem de formigas, besouros, moscas e mosquitos, muitos deles transmissores de doenças.

Aranha Pikelinia floydmuraria. (A) Fêmea; (B, C e D) Macho; (E e F) Atacando uma barata em sua teia. Fonte: artigo de Osvaldo Villarreal e colaboradores. Fotografia de Julio C. González-Gómez.
A pesquisa
O artigo científico com os detalhes da recém descoberta intitulado “Another web in the wall: A new Pikelinia Mello-Leitão, 1946 (Araneae, Filistatidae) from Colombia, with notes on its diet and description of the female genitalia of P. fasciata (Banks, 1902)” foi publicado em 18 de fevereiro de 2026 na revista científica Zoosystematics and Evolution e está disponível neste link.
A partir de agora, a equipe de cientistas sul-americanos desenvolverão estudos genéticos para entender melhor sobre as origens e evolução dessa espécie. As futuras pesquisas visam compreender como esses aracnídeos se adaptaram aos ambientes urbanos e como atuam na regulação de pragas urbanas.
O autor principal da pesquisa é Osvaldo Villarreal, que inclusive realizou seu PhD em Zoologia no Brasil, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A equipe de pesquisadores é formadas por Leonardo Delgado-Santa, Julio C. González-Gómez, Germán A. Rodríguez-Castro, Andrea C. Román, Esteban Agudelo e Luís F. García.
Ótimo momento para ouvir Pink Floyd, não acham?
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