Durante meses, Pearl Jam e Rock in Rio foram uma história cercada de rumores, especulações e informações de bastidores. Agora, finalmente, uma pessoa de dentro da organização confirmou que a conversa realmente existiu.
Uma novela em seis capítulos
12 de janeiro. Tudo começa com uma coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo, informando que o Pearl Jam deveria ser anunciado no line-up do Rock in Rio. Veículos como o Omelete repercutem a informação, mas fazem questão de deixar claro que ainda não havia nenhuma confirmação oficial por parte do festival.
Maio. A possibilidade ganha força vindo de um lugar inesperado. Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG, comenta a chance de um show do Pearl Jam em Belo Horizonte, e a imprensa musical associa a declaração à possível passagem da banda pelo Brasil.
25 de maio. Roberto Medina, fundador do Rock in Rio, é questionado diretamente sobre Pearl Jam e Miley Cyrus. Ele não confirma nada, mas também não fecha a porta, o que mantém a especulação viva.
Final de maio. O Rock in Rio divulga o line-up completo da edição de 2026, e o nome do Pearl Jam não aparece em lugar nenhum. A partir desse momento, fica claro que a banda não estaria no festival naquele ano. A programação oficial encerra, ao menos por ora, a expectativa.
4 de junho. Ed Kowalczyk, vocalista do Live, dá uma declaração que muda o status do rumor. Ele afirma que tanto o Live quanto o Pearl Jam chegaram a ser cogitados para o festival, mas que a programação final acabou mudando. A partir daí, o que era boato de bastidor passa a ter um relato de dentro do meio musical sustentando-o.
19 de agosto. Chega finalmente a confirmação que faltava. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Zé Ricardo, vice-presidente artístico do Rock in Rio, confirma que o festival de fato conversou com o Pearl Jam. Mas ele faz uma ressalva importante: nega que a saída da banda tenha sido a causa direta da mudança na programação, como sugeriu Kowalczyk. “Conversamos com muitos artistas. Conversamos com o Pearl Jam, sim, mas havia vários outros artistas na mesa, na conversa, para tomarmos uma decisão de qual caminho ir”, disse, classificando a versão do vocalista do Live como algo que ele “meio que criou na cabeça dele”.
O que está sendo confirmado, e o que não está
É importante ser preciso aqui: hoje não estamos confirmando que o Pearl Jam vai tocar no Rock in Rio. Estamos confirmando que a banda realmente esteve nas negociações, ainda que não como a única, nem necessariamente a decisiva.
A distinção importa. Em janeiro, parte da imprensa tratou a informação de bastidor quase como um anúncio, criando uma expectativa que a própria divulgação do line-up, meses depois, viria a frustrar. A declaração de Zé Ricardo não reabre essa possibilidade para 2026, mas resgata o rumor original e mostra que ele nunca foi invenção de fã nem especulação sem fundamento: havia, sim, uma negociação real por trás, ainda que a organização recuse a narrativa mais simples de “Pearl Jam trocado por atrações pop”.
Por ora, a banda de Eddie Vedder tem apenas um show marcado, no Ohana Festival, no fim de setembro, quando deve revelar o novo baterista após a saída de Matt Cameron. Já Vedder, isoladamente, vem ao Brasil como atração solo do festival paulistano Best of Blues and Rock, nos dias 20 e 22 de novembro.
O Pearl Jam não estará no Rock in Rio 2026. Mas agora sabemos que, por algum tempo, Eddie Vedder e companhia estiveram, sim, sobre a mesa da maior festa de música do Brasil.
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