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Quando o rock cabia numa banca de jornal

A série de capas da Morcegão FM é um tributo à época em que aniversários, despedidas e lançamentos de discos ganhavam manchetes nas bancas

Antes de o feed rolar infinitamente, o calendário do rock cabia em uma banca de jornal.

Aniversário de artista, disco novo, morte de um ídolo, uma entrevista aguardada ou simplesmente aquela banda que estava começando a chamar atenção. Durante décadas, a banca era um dos lugares onde o fã de música descobria o que estava acontecendo no mundo do rock.

É justamente essa memória que a Morcegão FM recupera em sua série de capas. Artistas como Dolly Parton, Shirley Manson, Allen Lanier, Andy Gibb e Terry Bozzio já ganharam suas próprias homenagens nesse formato, inspirado na linguagem das antigas revistas de música.

Mas a ideia vai além da estética.

A série é uma releitura de uma época em que uma capa podia despertar curiosidade, uma manchete podia levar alguém a comprar uma revista e um pôster retirado de suas páginas podia passar anos na parede de um quarto.

A banca era a timeline

Antes das redes sociais, não havia notificações no celular avisando que seu artista favorito tinha lançado um disco, feito uma declaração ou estava comemorando aniversário. Para muita gente, a informação chegava pela banca.

No Brasil, poucas publicações representam tão bem esse período quanto a BIZZ. Lançada em 1985, a revista acompanhou uma transformação importante da cultura jovem brasileira e se tornou uma das principais referências para quem queria descobrir novidades, acompanhar artistas e entender o que estava acontecendo na música. A primeira fase terminou em 2001, depois de 192 edições, mas o título voltou às bancas em 2005 e teve uma nova fase até 2007.

A Rolling Stone Brasil chegou às bancas em outubro de 2006. A primeira edição trouxe Gisele Bündchen na capa e marcou a entrada da tradicional marca americana no mercado brasileiro.

imagem Pinterest

E essa cultura não era apenas brasileira. Nos Estados Unidos, a SPIN também se tornou uma referência para uma geração de fãs. A revista registra como histórica sua capa de 1992 com o Nirvana, considerada a primeira capa de uma publicação nacional com a banda.

Essas revistas tinham algo que o ambiente digital praticamente eliminou: a espera.

Você precisava esperar a próxima edição chegar à banca. Precisava procurar a revista entre tantas outras. Precisava levar o exemplar para casa. E, muitas vezes, guardar.

Não era só informação. Era pertencimento.

O que essas revistas vendiam não era apenas informação sobre música.

Era pertencimento.

Colecionar revistas de rock era uma maneira de declarar quais bandas faziam parte da sua vida. Guardar uma edição especial significava preservar uma lembrança. Recortar um pôster e colocá-lo na parede era uma forma de ter aquele artista por perto.

Uma capa podia se tornar uma memória.

Talvez seja justamente por isso que tantas pessoas ainda conseguem lembrar da primeira revista de rock que compraram, da capa que mais gostaram ou daquele exemplar que procuraram em várias bancas até finalmente encontrar.

A internet tornou a informação muito mais rápida e acessível. Mas também fez desaparecer boa parte desse ritual.

Hoje, uma notícia aparece na tela e desaparece alguns segundos depois.

Na banca, você precisava parar, olhar, escolher e levar a história para casa.

A Morcegão traz esse espírito de volta

É desse universo que nasce a série de capas da Morcegão FM.

Não se trata apenas de colocar uma fotografia dentro de uma moldura que lembra uma revista antiga. A proposta é recuperar a linguagem e, principalmente, a sensação que existia por trás dela.

Manchetes, chamadas, fotografias, datas e aquele visual característico das publicações musicais ajudam a transformar cada homenagem em uma pequena capa imaginária de uma revista que poderia ter chegado às bancas décadas atrás.

Só que agora a banca é outra.

A nossa banca está na tela do seu computador ou do seu celular.

E o assunto continua sendo o mesmo: rock.

Quem nasceu, quem morreu, quem lançou um disco importante, quem marcou uma geração e quem continua fazendo história.

E você, viveu essa época?

Se você comprava revistas de música, talvez tenha alguma história guardada.

Qual foi a primeira revista de rock que você comprou?

Você colecionava? Guardava as edições? Recortava pôsteres para colocar na parede? Existe alguma capa que ficou marcada na sua memória?

Conta pra gente nos comentários.

E se você nunca viveu a época das bancas, conte também: qual capa da Morcegão FM você gostaria de encontrar em uma banca de jornal?

Porque as bancas mudaram, as revistas mudaram e a maneira de consumir música mudou.

Mas algumas capas continuam capazes de fazer a gente parar, olhar e lembrar.

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